cane corso italiano,(doggue de forte race)

O Cane Corso é um antiquíssimo molosso italiano, descendente direto do ‘canis pugnax’ romano, ou seja, sua história retrocede a mais de 2000 anos. Mesmo excluindo a priori que o nome indique a origem geográfica da raça, a etimologia da expressão ‘corso’ é controversa. Alguns afirmam que a palavra venha do latim ‘cohors’ que significa protetor, guarda (por exemplo ‘praetoria cohors’ é a guarda do corpo do general e ainda hoje no vaticano existe a Cohors Elvetica, ou guarda suiça).
É muito interessante também a hipótese que indica a raiz de Corso na palavra grega Kortòs, que indica o quintal, o recinto e da qual deriva a palavra cohors, que indicaria portanto o cão colocado como guarda do recinto. Esta hipótese, se verdadeira, nos leva à Magna Grecia (região que compreendia o sul da Itália, sob o império grego) e à sugestiva origem oriental dos molossos.
O Cane Corso tem longa história de parceria com o homem. Ao lado dele desempenhou, durante séculos, diferentes atividades nas propriedades rurais do sul da Itália. Durante o dia, muitos Cane Corsos ajudavam a pastorear boiadas e a protegê-las do ataque de predadores como os lobos. Também podiam ser vistos com seus donos em caçadas a grandes animais, como javalis.
Mas, desde o princípio de seu surgimento – segundo cinólogos modernos – muitos Cane Corsos eram utilizados exclusivamente para guarda. A vocação para defesa sempre foi outra característica marcante da raça. O próprio nome, segundo a maioria dos etimologistas, associa Corso ao latim cohors, que significa guarda, protetor.
Curiosamente, apesar de ser uma raça com origens bastante remotas, o reconhecimento internacional foi conquistado há poucos anos. O Cane Corso é semelhante, e muito provavelmente descendente, aos molossos romanos, retratados há cerca de dois mil anos. Até o início do século os descendentes desses cães estavam concentrados na zona rural do sul da Itália e eram conhecidos como Mastinos – os mais pesados, usados exclusivamente para guarda – e como Cane Corsos – os mais leves e versáteis.
Até 1912 a raça era completamente desconhecida fora dessa região mediterrânica. O interesse surgiu em decorrência da tentativa de inscrição de dois exemplares em uma exposição no norte da própria Itália. Indignado pela descoberta do desconhecimento, o proprietário daqules cães conduziu alguns cinófilos até o sul, onde encontraram centenas de Cane Corsos.
A partir da década de 40, cinófilos italianos começaram a criação organizada dos exemplares mais robustos e altos desses cães, que deram origem ao Mastim Napolitano. Mas foi apenas na década de 80 que um grupo de menos de 20 proprietários e apreciadores do Cane Corso, estabelecidos no norte da Itália onde a cinofilia já era mais desenvolvida, resolveu trazer a raça para a criação organizada. Surgia em 1983 a Società Amatori Cane Corso (SACC).
Apenas mais tarde, depois de muitos estudos e desenvolvimento da raça, em 1987, o primeiro padrão foi redigido e os cães começaram a ser registrados. Em 1994, a primeira vitória veio com o reconhecimento da Sociedade Cinófila italiana. Dois anos mais tarde, em 1996, a grande conquista: a Federação Cinológica Internacional (FCI) reconhecia oficialmente o Cane Corso e apresentava seu padrão, adotado nos 77 países a ela associada.
A sua conformação é aquela de um molosso de porte médio-grande, com musculatura muito bem desenvolvida que lhe confere um aspecto sólido, compacto e sem qualquer peso desnecessário.
A cabeça é bem proporcionada com o corpo, o olhar é altivo e expressivo: a mordedura levemente prognata (os incisivos inferiores se sobrepões aos superiores). O pescoço é possante. O tórax bem aberto e alto. A altura na cernelha varia de 64 a 68 cm nos machos e de 60 a 64 cm nas fêmeas, com tolerância de 2 cm a mais ou a menos; o peso médio dos machos é de 45/50 kg e nas fêmeas de 40/45 kg.
A pelagem é curta, mas não rasa (pelo de vaca), muito forte e muito abundante, garantindo uma perfeita impermeabilidade; no inverno surge um sub-pelo muito abundante também.
As cores tradicionais são o preto e o tigrado, mas há também os exemplares fulvos (um marrom claro) e cinza. Nos cães cinza e fulvos surge uma máscara preta (ou cinza) que porém não deve passar da altura dos olhos.
As características de equilíbrio psíquico, a devoção absoluta ao dono e a versatilidade para adaptar-se aos mais variados usos são a razão de seu sucesso e difusão que a raça viveu recentemente.
O uso mais clássico do Cane Corso foi aquele da caça aos animais selvagens perigosos, especialmente o javali. Os sabujos e os bracos tinham que achar o animal e em seguida, após uma perseguição, obrigá-lo a parar, permitindo aos caçadores alcançá-los. Finalmente eram soltos os Corsos que tinham que saltar sobre o javali e imobilizá-lo agarrando-lhe as orelhas e o grifo. Isto permitia aos caçadores aproximarem-se sem serem atacados e matar a grande presa com um golpe bem colocado. Era esta confusão final, este epílogo sanguinário, que exaltava os homens e que levou-os a celebrar a cena em uma longa série de representações artísticas.
De forma parecida era a função do Cane Corso como boiadeiro, ou melhor, como cão de açougueiro. Até muitos anos atrás, os bovinos de carne eram criados em estado selvagem em regiões incultivadas e para chegar até o matadouro na cidade tinham que ser guiados por percursos de várias dezenas de quilometros. Nascidos e crescidos no estado selvagem, os rebanhos apresentavam todo o perigo de animais selvagens. Pressuposto indispensável para controlar os bovinos era separar o touro, usando para isto os cães corso que tinham que paralisá-lo, agarrando-o pelo focinho com forte mordida, visto que a dor, nesta parte sensível, imobilizava completamente o grande animal. Sempre como boiadeiro o Corso tinha que defender o gado dos grandes predadores, como o urso ou o lobo.
Um tipo de caça muito particular onde o Corso era especializado era aquela ao tasso (meles meles, parente da ariranha e da doninha). Este grande mustelídeo (chega a 1 metro de comprimento e 20 kg), de costumes noturnos, era muito apreciado tanto pela pele, como pelo sabor da carne e até pela gordura, que fundido, era usado como unguento curativo. A caça era realizada à noite e exigia cães particularmente adestrados, visto que o escuro impedia o uso de armas de fogo. O Corso tinha portanto que surpreender o tasso e matá-lo com uma mordida forte na nuca, antes que este pudesse levantar-se e defender-se com suas longas e afiadíssimas garras.
Uso muito positivo era aquele feito pelas ‘guardas campestres’. Nas fazendas, terminada a colheita, o campo era abandonado por todos. Por vários meses, terminada a semeadura, restava somente o guardião: seu único companheiro era o cão, ajuda indispensável para defender-se de malfeitores que vagabundeavam por aquelas terras abandonadas.
Nos longos meses transcorridos junto, se estabelecia uma tal compreensão recíproca que o Cane Corso chegava a manifestar uma incrível inteligência.
Também os carreteiros que transportavam de dia e de noite, pelas estradas desertas em pleno campo, temiam continuamente os assaltos dos ladrões e para maior segurança viajavam em comboios e levavam de reserva os Cães Corso. A ecleticidade da raça foi muito apreciada também pelos grandes senhores feudais e renascentistas que a utilizaram, não só para a caça, mas também como guardas nas fortificações e como instrumento bélico. Para este propósito, os Corsos eram vestidos com faixas de couro endurecido que protegiam o peito e o dorso. Em alguns se colocavam faixas especiais que permitiam ao animal transportar sobre o dorso recipientes com substância resinosas acesas.
Desta maneira, este cães (chamados piriferos), eram de grande eficácia contra a cavalaria, pois, além de assustar os cavalos, asseguravam dolorosas queimaduras ao correr por entre eles.
História mais recente e menos gloriosa é aquela a partir do segundo pós-guerra, onde a velocidade das mudanças nas condições sócio-econômicas e o abandono da criação de bovinos selvagens conduziu ao descaso a seleção da raça, que reduzida a poucos exemplares beirou a extinção.
Aproximadamente vinte e cinco anos atrás, alguns cinófilos, entre os quais é necessário lembrar o Prof. Giovanni Bonatti, o Prof. Fernando Casolino, o Doutor Stefano Gandolfi, o Sr. Gianantonio Sereni e os irmãos Giancarlo e Luciano Malavasi, aceitaram o desafio de recuperar a raça e fundaram a S.A.C.C (Società Amatori Cane Corso).
A ENCI (entidade que cuida da cinofilia na Itália) seguiu com muito interesse, desde os primórdios, o projeto de recuperação da raça e encarregou o Dr. Antonio Morsiani de escrever o Padrão da raça. Durante o ano de 1988, por ocasião das exposições de Milão, Florença e Bari, os juizes Morsiani, Perricone e Vandoni fizeram as medições cinométricas de mais de 50 Corsos para verificar se aderentes às características indicadas no projeto de Standard. No mesmo ano, o sócio Vito Indiveri apresentou à ENCI o resultado do censo dos indivíduos rústicos com o registro de 57 cães, acompanhado de 97 fotografias. Incentivado por estes desenvolvimentos positivos, o Conselho Diretor da ENCI decidiu instaurar o Livro Aberto, onde inscrever os individuos, que tatuados, estivessem conformes ao Standard. De 1989 até 1992 foram inscritos no Livro Aberto mais de 500 individuos e em janeiro de 1994 a raça foi definitivamente reconhecida oficialmente pela ENCI.
Raça Brasileira tem sido considerada uma opção para aqueles que gostam do tipo molosso e gostariam de um bom guarda na cidade
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