Cão de Barrocal Algarvio

A origem do Cão do Barrocal Algarvio apontará provavelmente, a exemplo de outras raças conhecidas, para os tempos faraónicos nos quais se diz ter existido um galgo – o galgo egípcio – que foi difundido por toda a bacia mediterrânica, por fenícios e berberes.
Ao certo, sabe-se que conheceu grande prosperidade entre os habitantes do Algarve, a região mais a sul de Portugal continental, sobretudo a nível da sub-região do Barrocal, que apresenta características geofísicas sui generis.
A tradição oral, única fonte que nos diz algo sobre a origem desta raça, aponta para épocas de muitas gerações atrasadas. Algumas dessas fontes, que consideramos seguras, relatam-nos informações, transmitidas de geração em geração, cujo alcance temporal ultrapassa seguramente os duzentos anos.
Geograficamente, embora esta raça tenha proliferado em toda a região algarvia, serão de destacar as áreas do Barrocal pertencentes aos Concelhos de Loulé, São Brás de Alportel, Faro, Tavira, Lagoa, Silves e Albufeira (entre outros) e, muito particularmente, as Freguesias de Estói, S. Brás de Alportel, Santa Catarina da Fonte do Bispo, Santa Bárbara de Nexe e S. Bartolomeu de Messines.
Infelizmente, como aconteceu com outras raças portuguesas, também o Cão do Barrocal Algarvio esteve condenado ao desaparecimento. O principal problema terá sido a forma indiscriminada como, desde os anos 60, vários cruzamentos foram sendo feitos, diminuindo em muito o número de exemplares que, nos anos cinquenta, se calculava em cerca de três mil e quinhentos.
No entanto, apesar de todos estes problemas, o Cão do Barrocal Algarvio resistiu e afirmou a sua raça, felizmente ainda a tempo de alguém ter pensado em ajudá-lo.

A origem do cão típico do barrocal algarvio perde-se na memória das gentes e terá resultado de cruzamentos bem sucedidos entre vários tipos de cães. Parece não restarem dúvidas que, ao longo de muitos anos, o homem do barrocal forjou um cão com temperamento próprio e perfeitamente adaptado e eficiente nos terrenos mais inóspitos, como é a sua região de origem.
Esta sub-região do Algarve, comprimida entre o Mar e a Serra, caracteriza-se pela existência de solos calcários, bastante pedregosos, sobretudo à medida que aumenta a altitude, onde apresenta bastantes afloramentos rochosos. O estrato arbóreo, designado Pomar de Sequeiro, é constituído por alfarrobeiras, figueiras, oliveiras, amendoeiras e zambujeiros. O mato, extremamente denso, é predominantemente composto por estevas, sargaços, rosmaninhos, loendros, tojos, silvas, urzes e giestas.
Estas são as condições naturais para a proliferação do coelho bravo.
Este foi o habitat onde ao longo de gerações de caçadores, de espingarda ou pau, se foi apurando o instinto caçador do Cão do Barrocal Algarvio, cujas características em termos de rapidez e objectividade lhe permitem transformar a espingarda num objecto de pouca utilidade. Em norma chega antes do tiro.
O Cão do Barrocal Algarvio é um cão de caça por excelência que não despreza os novos desafios. Actualmente algumas matilhas do Algarve utilizam-no com grande sucesso na caça maior. É rápido, agressivo e um trabalhador incansável.
Um cão com um passado sombrio e um futuro risonho.
O Cão do Barrocal Algarvio é um cão com temperamento próprio e perfeitamente adaptado e eficiente em todos terrenos incluindo os mais inóspitos, como é o caso da sua região de origem.
Era muito utilizado – e voltou a sê-lo – na caça ao coelho bravo. É curioso vê-lo “sapatear” quando pressente um coelho “entocado”, ou mais renitente em sair.
Outra das suas características tem a ver com o cobro; fá-lo por intuição e com qualquer tipo de caça menor.
O Cão do Barrocal é um cão de caça por excelência que não despreza os novos desafios. Actualmente algumas matilhas do Algarve utilizam-no com grande sucesso na Caça Maior. É rápido, agressivo e um trabalhador incansável.
O Cão do Barrocal Algarvio apresenta as seguintes características morfológicas:
– Cabeça – bem levantada, leve e fina, com stop ligeiramente pronunciado. O crânio é ligeiramente mais curto que o chanfro nasal;
– Olhos – semi-oblíquos em forma de amêndoa, devido à grande intensidade solar que se faz sentir na região que lhe dá origem. O castanho é a cor predominante;
– Orelhas – com implantação alta, erectas e pontiagudas em forma de pirâmide;
– Pescoço – seco e de médio comprimento;
– Linha dorsal – semi-arqueada;
– Tórax – de média profundidade, chegando aos codilhos ou ligeiramente mais abaixo, o que lhe permite grande resistência na caça;

– Membros – secos, fortes e aprumados;
– Ventre – ligeiramente arregaçado;
– Cauda – comprida, chegando abaixo dos corvilhões, de pelo liso e comprido que, em acto venatório ou alerta, forma uma bandeira, daí a designação de Cão Abandeirado.
– Pêlo – liso e médio, muito macio, sem sub-pêlo, razão pela qual é designado de Felpudo, Lanudo ou Fraldado.
– Cores – mais frequentes são os amarelos (claro, escuro e fulvo), preto, castanho (claro e escuro), branco unicolor ou malhado, conjugando qualquer das cores anteriores;
– Altura – Macho 45/55 cm; fêmea 40/50 cm;
– Peso – Macho 20/25 kg; fêmea 15/20 kg.

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